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OPINIÃO / A aula que Silvio Santos deu à Netflix

Marcos Bedendo

           Silvio Santos não tem conta pessoal no Facebook, Twitter e LinkedIn. Silvio Santos não deve usar todos os “features” do seu smartphone. Silvio Santos provavelmente não sabe quem é “hype” na blogosfera. Mas ele continua na vanguarda da comunicação.

Silvio Santos tem e representa tudo aquilo que se faz necessário na comunicação contemporânea. Como gestor da própria marca, ele continua sendo fiel aos seus princípios, e comprometido com os seus valores. Ele é consistente na maneira que se comunica e presente no dia a dia do seu público-alvo. Ele é diferenciado, pois não há ninguém remotamente parecido com o Silvio Santos.

A maneira como ele estabelece diálogo com os seus consumidores é única. Ao falar com os convidados de seu auditório ele os trata como pessoas, “colegas de trabalho”, na célebre expressão cunhada por ele. E a dona de casa (como ele as trata) em suas casas se sentem representadas e valorizadas por aquela mulher que conversa com ele no auditório.

As “escorregadas” que viram motivo de piada em alguns círculos nada mais são do que a sua autenticidade vindo à tona, que não diminui o seu prestígio e a sua relevância para seus consumidores. Silvio Santos é um exemplo de construção de marca, e o grande comunicador do Brasil.

Depois das redes sociais e outras ferramentas permitirem um dialogo mais direto e espontâneo com o consumidor, todas as marcas querem ser um pouco mais Silvio Santos. Quando elogiamos aquela troca de mensagens bem-humorada via twitter entre empresa e consumidor, elas estão apenas dialogando de maneira humana, como o Silvio Santos faz há tantos anos com suas colegas de trabalho.

Um olhar mais aprofundado sobre esta última polemica de Silvio Santos anunciando a Netflix mostra o quanto sua espontaneidade é latente, e a Netflix, apesar de ter participado de maneira exemplar deste dialogo, ainda viu a ação como uma forma de assessoria de imprensa. Vamos aos detalhes da aula de Silvio Santos.


O Mestre Silvio Santos, e o pupilo Reed Hasting, CEO da Netflix.

Silvio falou que não assistia televisão quando estava em casa, mas assistia ao Netflix. Ele deu o preço do serviço, e também falou de um dos programas do qual gostava – a minissérie “A Bíblia”. Foi tão espontâneo que uma ação de merchandising paga não teria o mesmo efeito. Ele genuinamente estava recomendando o conteúdo, como um amigo faz com o outro.

A repercussão aconteceu, e foi rapidamente respondida pelo Twitter da Netflix, que disse estar avaliando o pedido feito por Silvio para que ele ganhasse o mês de graça. Seria o básico.

Mas a empresa foi além. Provavelmente avisado da importância do figura do Silvio Santos no Brasil, o próprio CEO da Netflix, Reed Hasting, resolveu fazer um vídeo direcionado ao Silvio, oferecendo não apenas o mês grátis, mas uma assinatura vitalícia. A resposta foi certeira, adequada e também pessoal. Quase como do dono da padaria para o seu cliente: entendeu a necessidade e dialogou. Perfeito até aí.

Mas infelizmente Hastings não conseguiu se segurar e acabou fazendo uma divulgação do “House of Cards”, série que estava estreando a terceira temporada naquele dia. Com isso, a quase “conversa entre amigos” acabou se tornando uma ação de assessoria de imprensa. Simpática e adequada, mas pouco pessoal. Afinal, o dono da padaria sabe o gosto do cliente, e me parece que oferecer “House of Cards” para quem assiste “A Bíblia” é similar ao dono da padaria oferecer um bolo de chocolate como cortesia à cliente de regime.

Mas isso não tira o brilhantismo da aula que Silvio Santos deu a todas as empresas “moderninhas”, e nem o rápido e certeiro aprendizado do aluno Netflix, que conseguiu dialogar com quase a mesma simpatia e desenvoltura do professor.

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Por: Mundo MS Inc.

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