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OPINIÃO / O papo de bar morreu e foi para o Facebook?

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Como saber quando um assunto qualquer entrou na pauta da conversa dos brasileiros? No mercado financeiro, por exemplo, se argumenta que quando um taxista fala sobre a oportunidade de compra de uma ação da bolsa essa é, na verdade, a hora de vendê-la. Ou seja, neste caso é preciso estar na rua para saber que chegou a hora de se desfazer dos papéis porque eles já se tornaram carne de vaca. E o bar? Ainda é preciso entrar num para descobrir o assunto do dia ou só vale uma checada no Facebook? 

As redes sociais se tornaram fundamentais e um alimento importante para novas pesquisas, como as realizadas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). A equipe do DAPP (Departamento de Análises de Políticas Públicas) é uma das instituições mais respeitadas que faz o monitoramento das mensagens nas redes.

Os pesquisadores identificaram, por exemplo, que quando o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) foi eleito o presidente da Câmara dos Deputados, a principal questão abordada nas redes sociais foi sobre como seria a relação dele com a presidente Dilma Rousseff, adversária do parlamentar. Um tema que de fato virou um dos principais assuntos do Brasil desde então. (veja aqui o resultado)

Organização

A capacidade de organização popular também avançou muito com as novas mídias. Os protestos de 2013, por exemplo, foram principalmente organizados pelas redes sociais. “O Facebook e o Twitter aumentaram a efetividade desses protestos”, ressalta o professor de Economia e Finanças da Universidade Brunel em Londres, Nauro Campos, em entrevista ao blog Analista de Bar.

“Os protestos são como uma variável instrumental para capturar a incerteza do sistema financeiro. Reconstruímos a série histórica até 1870 e temos um nível constante de protesto. Isso não é só coisa de argentino. A quantidade de protestos não muda muito. O que muda é a organização dele”, argumenta o professor e pesquisador.

Campos desenvolveu um estudo sobre os protestos de 2013 (veja aqui) e, ao contrário do senso comum, não somos um povo calmo que não protesta. E mais: as redes sociais ajudaram a tornar os consensos. E mais: as redes sociais ajudaram a tornar os consensos e insatisfações mais visíveis. As conversas e postagens não criam os protestos, apenas polarizam o debate.

O gráfico abaixo aponta as demonstrações anti-governo (em azul) e greves (em vermelho), desde 1870.



Alguém ainda precisa ir ao bar? Bem… é sempre bom debater cara a cara com as pessoas ao modo antigo. No boteco ainda podemos encerrar uma discussão com um brinde e um abraço. Bem melhor que um bloqueio ou exclusão da lista de amigos (digital e real) que temos visto nas redes por aí, por desavenças políticas, religiosas ou até futebolísticas. Além disso, como desde o ano passado mais da metade dos brasileiros está na internet, uma boa saída pode ser tuítar ou comentar do próprio bar. Saúde!


 Gustavo Kahil 
Compart

Por: Mundo MS Inc.

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