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Curiosidades / 5 Doenças que você deve temer mais que o Ebola

Bruno Rizzato


O atual surto da doença causada pelo vírus Ebola na África Ocidental é o maior já registrado na história e já matou mais de 1.200 pessoas.

Aqueles que vivem em áreas mais desenvolvidas tornaram-se bastante protegidos dos efeitos devastadores da doença infecciosa generalizada ao longo dos últimos 60 anos ou mais, devido a ampla disponibilidade de vacinas, cuidados de saúde competentes, e educação sobre o papel da higiene na transmissão da doença. Portanto, é muito raro que a Ebola se torne uma pandemia no mundo desenvolvido, já que o método de transmissão requer contato próximo com pessoas infectadas.

No entanto, isso não significa que uma epidemia global seja completamente impossível de acontecer nas áreas mais desenvolvidas, seja ela de qualquer outra doença. Confira essas cinco doenças que poderiam facilmente causar uma emergência de saúde global:

Influenza


Cerca de 3 a 5 milhões de pessoas em todo o mundo são acometidas gravemente com o vírus da gripe a cada ano, resultando em um número de mortes entre 250 a 300 mil. Essa é uma quantidade muito grande de pessoas, embora a taxa de mortalidade seja baixa. No entanto, esta é apenas a gripe sazonal. E cada vez mais, novas estirpes, são encontradas, como os subtipos do vírus Influenza H5N1 e a H7N9, que podem ser encontradas em animais, mas têm o potencial de causar doenças em seres humanos.

Algumas cepas de H5N1 são altamente virulentas, e já dizimou milhões de aves, além de ter uma taxa de mortalidade de 60% em humanos. O vírus pode passar de ave infectada ao ser humano, mas não é tão facilmente transmitida de pessoa para pessoa. Pelo menos não ainda. H5N1 sofre mutações rapidamente, e não demoraria muito para ele se tornar facilmente transmissível.

H7N9 é particularmente preocupante, porque nós não sabemos muito sobre ele. O primeiro caso confirmado da doença humana foi em março de 2013, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 22%. No entanto, o fato de ser uma doença nova e poder ser transmitida de aves que nem sequer aparentam estar infectadas, é bastante preocupante, pois pode se tornar um problema generalizado.

Além disso, seria prudente mencionar que a pandemia de H1N1 de 2009 foi causada por uma cepa espantosamente semelhante a encontrada em porcos, levando ao apelido de "gripe suína". Durante a temporada de gripe daquele ano, a maioria dos casos foram devidos a H1N1. De abril de 2009 a maio de 2010, haviam mais de 18.000 mortes confirmadas em exames de laboratório, devido ao H1N1. No entanto, algumas estimativas colocam o número real de mortes até 15 vezes maior, citando a falta de testes bioquímicos nas áreas mais atingidas como uma razão para a subnotificação. A pandemia terminou em 2010 e, agora, atenção é redobrada.

Vacinas contra a gripe precisam ser administrados a cada ano por causa da incrivelmente alta taxa de mutação. Cada ano que passa traz a possibilidade de outra estirpe poder ter consequências devastadoras.

Doenças diarreicas



A diarreia afeta mais de 1,7 milhões de pessoas anualmente, resultando na morte de 801 mil crianças. Ela causa a perda elevada de líquidos e sais necessários para corpo, e quando não tratada, a desidratação pode levar a óbito.

A principal causa de doenças diarreicas em crianças é o rotavírus, já nos adultos, o norovírus, embora também existam outras causas virais e bacterianas. A cólera, a salmonela, o vírus Nipah, o próprio vírus Ebola, entre outras, são fontes notáveis de doenças altamente infecciosas que causam diarreia.

Geralmente, é transmitida através do contato direto ou indireto com fezes. Se um indivíduo infectado defeca perto de uma fonte de água, ele pode se contaminar. Esta água pode ser ingerida por outros indivíduos, expondo-os a doença, ou quando a água em questão é usada para a irrigação, o que pode criar uma exposição indireta ao vírus.

Enquanto a maioria das mortes por doenças diarreicas são em áreas menos desenvolvidas, que não têm acesso a saneamento básico adequado, ou hábitos de higiene necessários para evitar a doença, uma cepa mutante ou resistentes aos medicamentos poderia agravar severamente a doença, tornando as coisas alarmantes para centenas de milhões de pessoas.

Tuberculose


A tuberculose (TB) é uma infecção bacteriana que afeta dois bilhões de indivíduos por ano, resultando em 1,3 milhões de mortes. Uma vez exposto, a doença não necessariamente ataca imediatamente. Na verdade, as bactérias podem permanecer ‘dormentes’ por vários anos antes de causar a doença. Embora a tuberculose não se espalhe nesta fase latente, pode tornar-se uma infecção ativa a qualquer momento.

Uma vez que os sintomas iniciam, os pulmões são os primeiros afetados. O que pode começar como uma tosse persistente ou fadiga, pode facilmente se transformar em dor aguda no peito e tosse com sangue. Quando a doença afeta outras partes do corpo, pode levar a dor nas articulações, impedir a função do fígado ou dos rins, causar meningite (inchaço das membranas que cobrem o cérebro e a medula espinhal), ou inflamação fatal e acúmulo de líquido em volta do coração.

A tuberculose é transmitida através do ar, por isso, estar perto de alguém com uma infecção ativa enquanto ela tosse ou espirra, ou possivelmente até mesmo quando ela estiver falando, é um meio bem provável de infecção. Aqueles que estão imunocomprometidos, tem diabetes, dietas pobres, fumam ou trabalham em condições insalubres, são mais propensos a adquirir a doença.

Infelizmente, o tratamento da tuberculose não é tão simples, como tomar antibióticos durante 10 dias. Muitas cepas que causam tuberculose são resistentes à maioria dos tratamentos, e os acometidos com infecções resistentes ativas, é preciso tomar um coquetel de medicamentos por cerca de um ano e meio. Mesmo assim, a taxa de mortalidade por tuberculose resistente a medicamentos é de cerca de 80%. Como a resistência a medicamentos continua crescendo, a tuberculose pode afetar ainda mais as pessoas e até mesmo resultar em número crescente de mortes.

Doenças respiratórias


O surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), em 2003, se espalhou para mais de 24 países em quatro continentes. A SARS, causada por um coronavírus, matou 774 das 8.098 pessoas infectadas, que tiveram contato próximo durante uma viagem internacional. A taxa de mortalidade foi de 9,5%. Ela se manifesta em sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre e dores musculares, mas a maioria dos casos evolui para pneumonia ou insuficiência renal, podendo ser fatal. Devido à rápida e dedicada colaboração internacional pelos países afetados, o surto foi contido apenas cinco meses depois de ter sido relatado pela primeira vez.

A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) atingiu 20 países desde que apareceu pela primeira vez, em 2012. Dos 837 casos confirmados, 291 pessoas morreram. MERS é muito semelhante à SARS, em termos de sintomas e complicações, embora a falta de infra-estrutura de saúde na região endêmica possa explicar o motivo da taxa de mortalidade (30%) é muito maior do que a da SARS.

MERS e SARS são causadas por cepas altamente virulentas do coronavírus. Existem seis cepas conhecidas que causam doenças humanas, embora as outras causem sintomas bem mais leves, a nível de comparação. No entanto, cepas mutantes ou resistentes ao tratamento poderiam aumentar o número de pessoas infectadas.

Resistência aos Antimicrobianos


Os antibióticos têm sido um dos melhores avanços na história da Medicina, mas seu uso irresponsável transformou esta bênção em maldição. Quando não são medicados corretamente, a medicação pode não matar todas as bactérias. As que restam, agora foram expostas às drogas, mas não morreram com ela. Por alguma razão, uma mutação aleatória no genoma das bactérias deu-lhe uma vantagem de resistência a este antibiótico e vão continuar a proliferar. Quando eles passam a causar a doença novamente, elas não são tão facilmente derrotadas.

Por conta disso, a Staphylococcus aureus resistente à meticilina, tornou-se o problema que é hoje. Mais de dois milhões de norte-americanos desenvolvem uma infecção resistente a medicamentos a cada ano, resultando em mais de 23.000 mortes.

Enquanto vacinas e melhores hábitos de higiene eliminaram grande parte da carga de doenças infecciosas de áreas desenvolvidas, os medicamentos antimicrobianos têm desempenhado um papel importante para atenuar a propagação da doença. A OMS divulgou um relatório em abril deste ano, afirmando que "uma era pós-antibióticos está longe de ser uma fantasia apocalíptica, e sim uma possibilidade muito real para o século 21".

Este não é apenas um problema com bactérias; estende-se a vírus, fungos e parasitas.

Os tratamentos tradicionais estão encontrando resistência a uma série de infecções e doenças, incluindo (mas definitivamente não se limitando a) infecções do trato urinário, tuberculose, malária, HIV, influenza, e gonorreia. De fato, tem havido relatos de vários países em que a gonorreia se tornou eficientemente resistente a todas as formas de tratamento.

O doutor Alexander Flemming descobriu a penicilina, em 1928; que o levou a ser agraciado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1945. Durante o seu discurso do Nobel, alertou contra o uso ocasional de antibióticos, explicando como eles poderiam facilmente formar cepas resistentes de bactérias que teriam consequências devastadoras. Setenta anos depois, aqui estamos nós.
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Por: Multimidia Info

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